O setor imobiliário difere da maioria dos outros setores porque os dados não se originam na própria organização, mas numa longa lista de terceiros: inquilinos, gestores de imóveis, fornecedores de energia, instaladores e, por vezes, o proprietário anterior do imóvel. Enquanto uma empresa de produção ainda consegue ler o seu consumo de energia no seu próprio contador, um proprietário imobiliário depende, para a maior parte dos seus pontos de dados CSRD, de terceiros que efetivamente utilizam ou gerem o imóvel. Isso torna a relação entre dados que a organização regista ela própria e dados que têm de vir de outro lugar, no setor imobiliário, mais desequilibrada do que num setor com processos de produção próprios.
O consumo de energia e água por imóvel constitui o núcleo do relatório, mas a fonte varia muito de imóvel para imóvel. Em alguns edifícios, o consumo passa por um contador central que o gestor lê, noutros cada inquilino tem a sua própria ligação e os dados têm de ser solicitados por contrato de arrendamento. Em imóveis mais antigos ou mais pequenos, falta frequentemente medição inteligente e o consumo é estimado com base na área útil ou em imóveis comparáveis. Para o registo de pontos de dados, isto significa que, por imóvel, é preciso registar não apenas qual o valor utilizado, mas também se esse valor foi medido, solicitado ou estimado, e quem é responsável por isso.
Certificados energéticos, relatórios de avaliação e inspeções técnicas de construção são geralmente elaborados por terceiros e entregues em momentos aleatórios, sem ligação ao ciclo de relatório. Estes documentos contêm frequentemente exatamente os pontos de dados necessários para a CSRD — desempenho energético, valores de isolamento, tipo de instalação — mas estão dispersos por e-mails, portais de avaliadores e pastas locais junto do gestor de ativos. Sem um local fixo onde estas fontes sejam associadas a um imóvel e a um ano de relatório, procura-se novamente, em cada relatório, o certificado mais recente ou a última avaliação.
Uma parte considerável do impacto climático de uma carteira imobiliária reside na utilização pelos inquilinos, não na gestão pelo próprio proprietário. Esses inquilinos raramente são obrigados a partilhar dados e frequentemente não têm interesse em fornecê-los. Isto remete para uma questão que não é exclusiva do setor imobiliário: de que ponto de dados a organização realmente precisa, e de quem se pode razoavelmente esperar que o forneça. Em caso de dúvida sobre o âmbito dos dados solicitados, é útil observar como organizações com várias filiais ou unidades determinam quais os pontos de dados que são efetivamente relevantes, pois a mesma ponderação surge numa carteira com muitos imóveis e inquilinos.
Muitos proprietários imobiliários entregam a gestão diária a um terceiro que gere faturas, dados de consumo e informações de manutenção num sistema próprio. Este elo intermediário significa que o proprietário frequentemente não tem acesso direto aos dados de origem, dependendo de exportações, relatórios ou transmissão manual por parte do gestor. Quando um gestor muda ou um contrato termina, regularmente desaparece também o acesso a dados históricos, o que torna a linhagem de um ponto de dados — desde a medição original até ao número no relatório — ainda mais vulnerável.
A dependência de terceiros para dados cruciais não é exclusiva do setor imobiliário. Quem quiser ver como um setor com muitos subcontratados e localizações variáveis encara o mesmo problema, encontra pontos de ligação em como o setor da construção lida com dados que têm origem em subcontratados e fornecedores, e também a forma como as empresas de instalação registam dados de consumo e materiais que têm origem em clientes e projetos tem sobreposição com a posição de um gestor imobiliário entre o proprietário e o inquilino.
Dentro de uma organização imobiliária maior, com vários fundos ou unidades de negócio, o mesmo ponto de dados — por exemplo, o certificado energético de um tipo de edifício ou o fator de CO2 de um fornecedor de energia — já surge frequentemente noutro local da organização. Antes de se voltar a investigar de onde deve vir um número, vale a pena verificar se esse ponto de dados já está registado numa outra unidade de negócio ou noutro fundo dentro da mesma organização. Isso evita que a mesma pergunta seja feita várias vezes a um fornecedor ou avaliador, com o risco de obter respostas divergentes.
É grande a tentação de adquirir primeiro um sistema de software que recolha dados de consumo dos edifícios e produza painéis de controlo. Mas um sistema que recolhe dados de fontes que ninguém verificou quanto a titularidade e fiabilidade produz um relatório com aparência mais organizada sobre números que continuam incorretos. Mapear primeiro qual ponto de dados vem de qual parte, quem é responsável por ele e quais regras de qualidade se aplicam é o passo que precede qualquer sistema.
Uma vez claro quais os pontos de dados, de onde vêm e quem os gere, surge naturalmente uma segunda questão: que parte do trabalho de recolher, verificar e atualizar esses dados se pode apoiar com IA. A FTE TO AI dispõe, para esse efeito, de um scan de trabalho que calcula, por tarefa, que parte do trabalho pode ser assumida pela IA, tornando claro onde a automatização contribui de forma realista e onde continua a ser necessário o controlo humano.
O Data Readiness Scan para carteiras imobiliárias está em desenvolvimento. Quem quiser já ter o registo de pontos de dados, a linhagem por imóvel e a titularidade dos dados de sustentabilidade considerados na sua construção pode inscrever-se na lista de espera. Ainda não é fornecido nada; quem se inscrever será informado assim que o scan estiver disponível.
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